ESTÚDIOS POR IP

ESTÚDIOS DE RÁDIO POR IP (AoIP)

Por José Cláudio Barbedo(Formiga)

Uma introdução à história do Áudio por IP

Os estúdios de rádio montados com consoles IP surgiram como desenvolvimento lógico da Tecnologia de Internet (TI), que revolucionou o mundo como um todo.
Tendo enlaçado o mundo na troca de dados através de redes de computadores (Ethernet) que usam o Protocolo de Internet (IP), a tecnologia avançou para o campo das telecomunicações e transformou a telefonia, com as ligações telefônicas sendo digitalizadas e direcionadas por TI, com o uso da tecnologia Voz por IP (VoIP).
O passo seguinte, nas comunicações, foi passar a transmitir áudio e vídeo de excelente qualidade, com a criação outras novas tecnologias: Vídeo por IP, Áudio por IP, Áudio e Vídeo por IP. Todas sempre baseadas na topologia de uma rede Ethernet e com as facilidades e recursos que as redes (LAN, WAN) trouxeram.
Em áudio, a partir de estudos conduzidos na Polônia, com suporte de firmas dos Estados Unidos, firmou-se, para estações de rádio, um padrão, em constante evolução, chamado Áudio por IP - no acrônimo inglês, Áudio over IP (AoIP).
A primeira empresa a lançar produtos AoIP foi a Axia, na NAB 2003, que lançou seu "trademark" LiveWire, e a primeira console que era apenas um “mouse de luxo”, uma “superfície de controle”.

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Daquele ano até o presente, várias outras companhias lançaram outros produtos, com pequenas diferenças entre si, mas todos usando a ideia básica do AoiP: Digitalização, Distribuição, Difusão de áudio através de redes Ethernet com o protocolo IP como base. Entre essas firmas, encontram-se a Lawo - que lançou o padrão Ravenna, a Wheatstone - que lançou o padrão Wheatnet IP, a AEQ, que utilizou uma tecnologia vinda das companhias que fazem produtos para grandes shows de música, a DANTE.

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Preocupada com o crescimento de tecnologias semelhantes mas que não se intercomunicavam, o FCC, a NAB e a AES resolveram criar um grupo de trabalho, em 2012, voltado para estabelecer um padrão único, que absorvesse o que cada padrão independente tivesse de melhor e, em curto prazo, obrigasse a que todas que quisessem seguir com seus produtos certificados no mercado dos EUA tivessem que obedecer.
Desse grupo de trabalho, surgiu o padrão AES67, publicado no final de 2013, e que passou a ser adotado pelos fabricantes, paulatinamente, a partir de 2014.

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Atualmente, todas as redes de AoIP são "AES67 compliant" ou "AES67 compatible", sendo o "compatible" entendido como um padrão intermediário, das companhias que ainda não conseguiram transformar seu padrão original em AES67, e o "compliant" como os das companhias que fizeram seu padrão original seguir todas as regras contidas no AES67.
No mercado de rádio mundial, duas companhias de destacam, com grande vantagem entre as outras, no AoIP:
A AXIA, com o padrão LiveWire;

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A Wheatstone, com o padrão WheatNet-IP.

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Se a Axia é conhecida pela velocidade com que inova e lança novos produtos, a Wheatstone é conhecida pela solidez e qualidade de seus produtos, sendo seus lançamentos sempre precedidos de grandes testes de confiabilidade.

Montando uma Rádio por IP

Quem monta uma rede de computadores, monta uma Emissora de Rádio por IP. A tecnologia é a mesma, os padrões são os mesmos. Redes Ethernet, Switches, Routers, Radios por IP, Endereços IP, Portas, Gateways.
A partir do momento que o áudio é transformado de analógico em digital, ou já recebido digitalizado, ele é encapsulado e distribuído e roteado, dentro da emissora, e até mesmo até a entrada do transmissor de RF da emissora, por redes Ethernet, por Rádios por IP, por CODECS, MODEMS, etc...
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As chegadas e envios de áudio para o mundo externo são realizadas através de equipamentos digitalizadores, de "nódulos", onde o áudio é digitalizado, ou volta a se transformar em analógico.
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Cada um desses nódulos é ligado a um switch, onde também estarão ligados a Console de Áudio - que passa a ser apenar uma Superfície de Controle - os computadores com os playlists - que passam a não precisar mais de placas de áudio - e os Processadores de Áudio, os Links de Enlace, os CODECS.
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Em estações de grande porte, "hubs" locais, composto de nódulo, superfície de controle, computadores e switch, tem esse switch conectado por rede Ethernet Gigabit à um Switch Central, que receberá outros switches de outros "hubs", gerenciando assim todo o áudio (melhor dizendo, todos os dados com áudio) da emissora.
Assim como em TI, todo o sistema de AoIP permite, e deve ser montado, com topologia prevendo redundância, opções "fail-over", pontos de controle e estações remotas virtuais.
Em uma facilidade AoiP, desaparecem os multicabos, o emaranhado de fios, as conexões físicas por réguas de patch mecânicas, onde trafega áudio analógico.
O áudio passa a ser roteado digitalmente, programavelmente, com qualquer entrada ou qualquer saída, de qualquer estúdio, podendo estar presente em qualquer entrada ou qualquer saída, seja de Superfície de Controle, seja nos "nódulos", nos "Blades", que é como a Wheatstone chama seus nódulos.
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Esse áudio pode ser equalizado, memorizado, rotulado, enviado, arquivado, com o software/firmware (por exemplo, o WheatNet-IP) se responsabilizando por sua integridade e pela otimização do fluxo dentro da facilidade.
Cada um dos equipamentos componentes do sistema (digamos, uma rede WheatNet-IP)é identificado e identificável, sendo a ele atribuído um endereço IP e, no caso específico da Wheatstone, em caso de falha de um dos Blades, a rede seguindo funcionando, apenas sem os recursos presentes no Blade em pane; tão logo o Blade é substituído por um íntegro, o substituto lê todas as configurações guardadas pela rede e se programa automaticamente, inclusive assumindo o endereço IP do nódulo em pane, assim como todas as suas funções.
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Todos os comandos, em qualquer dos equipamentos, permitem personalização e restrição de acesso, em vários níveis. Dessa maneira, o Locutor "X", ao iniciar seu turno, pode chamar (recall), usando uma senha (pwd) a memória "X", e a superfície de controle, a Console, terá seus controles físicos reconfigurados para o modo de trabalho do Locutor "X", assim como o processamento de microfone será o ajustado para o Locutor "X"; assim também será a equalização dos headphones, os canais de entrada de música, a disposição dos faders, o tipo de "cue". Ao trocar de turno com o Locutor "Y", este chamará a memória "Y", usando sua senha (pwd) e terá a seu dispor as preferências armazenadas para seu trabalho.
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Mas somente um "Administrador" poderá alterar as preferências de "X" ou "Y" ou "Z". Usando uma senha de administrador, e em qualquer computador que faça parte da rede Wheatnet-IP, ou até de casa, ou de qualquer lugar, por acesso remoto via internet pública, com os devidos firewalls.
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Na prática, no presente momento, é possível montar todo um estúdio, ou toda uma rádio, ou todo um complexo com várias emissoras, sem realizar uma única solda; apenas crimpando cabos de rede Ethernet CAT5E ou CAT6 em conectores RJ45, e usando adaptadores dedicados, que transformam praticamente a totalidade de todos os tipos de conectores (XLR, P10, P2, RCA, DIN, etc...) para o padrão RJ45, que é também o padrão adotado por todos os fabricantes que estão de acordo ou compatíveis com o padrão AES67 de AoIP.
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Como nota especial de redundância, recomenda-se que cada superfície de controle tenha uma "irmã gêmea" estocada no almoxarifado técnico, assim como o "node", "Blade" que faz interface direto com a superfície de controle, tenha um "irmão gêmeo" no almoxarifado técnico, juntos com o "switch" do hub. São os elos críticos de uma instalação de AoiP.
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Mesmo com a falha da Superfície de Controle, o "Blade" de interface, os demais agregados e o switch manterão a estação no ar. Em uma facilidade com múltiplos estúdios por IP, qualquer dos estúdios pode assumir, em parte ou integralmente, as funções do nódulo ou superfície que falhou. E até consoles virtuais podem ser usadas, seja por teclado/mouse, seja por monitores touchscreen, o papel de uma superfície de controle, ou de um nódulo, permitindo que a estação fique no ar, ou seja comandada à distância, da arena de um show à um estádio de futebol.
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A montagem de uma estação de rádio onde vá se utilizar AoIP, na integridade ou em parte, deve seguir os mesmos critérios da instalação de uma rede de computadores em qualquer facilidade: projeto cuidadoso da topologia, correta distribuição de recursos, cuidado elevado com a segurança, indicação dos pontos críticos, previsão de redundância.
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Levados em contas esses fatores, uma instalação AoIP funcionará, desde o primeiro momento, com total predicabilidade e segurança, jamais ficando obsoleta, pois ela, apesar de ter tido um início, não tem fim, permitindo crescimento infinito, upgrades programados e qualidade inalterada ao longo do tempo.
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